Pessoal, adorei o e-mail (copiado abaixo) que minha colega da Letras, Juliana Santos, encaminhou esta semana.
É isso aí, vamos espalhar a verdade!!
Só o texto do David Coimbra no blog dele já merece uma vaia gigantesca. Fiquei bastante decepcionada com ele.
Isso é o que dá falar sobre o que não sabe.
Infelizmente, estamos diante de uma enganação feita para o Brasil inteiro!!
Lamentável.
INFORMEM-SE SEMPRE!
Durante este mês de maio, foi noticiado em telejornais como Bom Dia Brasil, Jornal Nacional e Jornal do Almoço, da nossa Incrível Fábrica de Notícias, Rede Globo, o seguinte: LIVRO DIDÁTICO APROVADO E DISTRIBUÍDO PELO MEC ENSINA ERROS DE GRAMÁTICA AOS ALUNOS.
Com ares de “gravidade” e “conhecimento de causa” foi afirmado que os professores haviam agora abolido o mérito e as formas corretas da língua portuguesa para valorizar o ERRO afim de não “constranger os alunos. Para sustentar tal notícia, reduziram um capítulo de 17 páginas a dois ou três trechos-exemplo e concluíram em rede nacional que a intenção era ensinar aos alunos formas como “Os livro ilustrado”, “Nós pega o peixe”, “Os menino pega o peixe”. Termos como “assustador”, “monstruoso” e tons que variavam entre incredulidade, espanto, deboche ou sei lá mais o quê foram, utilizados por esses verdadeiros donos da notícia.
A questão é que esses formadores de opinião, Alexandre Garcia, Lazier Martins e demais “fazedores” de notícia, ou NÃO leram o livro ou LERAM E NÃO ENTENDERAM. Tampouco o tal professor de língua portuguesa, comentarista, atual funcionário e “militante” da/na Rede Globo (mais novo rico do pedaço com seus livros de auto-ajuda da língua portuguesa) Sr. S-O-L-E-T-R-A-N-D-O, Sergio Nogueira. Isso sim é que realmente GRAVE, ASSUSTADOR e MONSTRUOSO. Mais ainda é perceber que não foi só ignorância, problema de leitura ou mal-entendido, já que qualquer linguista, se consultado, poderia esclarecê-los, bem como a população, rapidamente.
A ABORDAGEM SUPERFICIAL E FANTASIOSA da rede globo serviu apenas para atacar o MEC mais uma vez e jogar lama na educação, juntar tudo num mesmo saco e despachar bueiro abaixo. À custa de um trabalho sério como o do livro em questão, essa emissora demonstrou mais uma vez seu medo e preconceito sobre as classes populares (“quem for nivelado por baixo terá a vida nivelada por baixo” disse levianamente Alexandre Garcia), além de uma total omissão e falta de compromisso com a verdade.
ALGUÉM, POR FAVOR, PODE AVISAR À REDE GLOBO QUE TELEJORNAL É COISA SÉRIA? E NÃO LUGAR DE HISTERIA, DESINFORMAÇÕES E SUPERFICIALIDADES?
“Desserviço” à sociedade brasileira:
FOI DITO que o livro ensinava “erros” de gramática como “os livro” e “Os menino pega o peixe” e que tinha a proposta de abolir as formas “corretas” do “português padrão”.
MAS o capítulo Escrever é diferente de Falar (do livro Viver, Aprender), conforme o título mesmo sugere, e seu conteúdo integral comprova, tem a proposta clara de ensinar Aos alunos a norma culta (SIM!) através da comparação com os registros da língua falada (POR ISSO OS EXEMPLOS: “Os livro”, “Nós pega”). Inclusive, logo a seguir, uma tarefa solicita aos alunos que transcrevam as formas da norma popular para a norma padrão, a fim de que apreendam as duas formas.
FOI MOSTRADO o TRECHO: Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar ‘os livro?’.” Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico.
FOI DITO que o livro utilizava-se de um título mentiroso (Viver, aprender) ao negar aos alunos o correto, o certo, a verdade, por achar que os mesmos não seriam capazes de aprender.
FOI DITO que as autoras haviam inventado (I-N-V-E-N-T-A-D-O!!) o termo “preconceito linguístico” para mascarar uma ideologia de supervalorização das classes populares sobre as classes mais ricas e cultas para não constranger os alunos mais pobres.
mas FOi oMITIDo DESSA mesma parte introdutória: Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião.
Esse preconceito não é de razão linguística, mas social. Por isso, um falante deve dominar as diversas variantes porque cada uma tem seu lugar na comunicação cotidiana. Como a linguagem possibilita acesso a muitas situações sociais, a escola deve se preocupar em apresentar a norma culta aos estudantes, para que eles tenham mais uma variedade à sua disposição, a fim de empregá-la quando for necessário.
O que esse pessoal da reportagem não sabe, nem quis saber, é que o capítulo estabelece diferenças entre a variedade culta e a variedade popular simplesmente para dizer que essas duas coisas não são iguais, pois cada uma segue regras de concordância diferentes. Que utiliza, no mínimo, dois termos/conceitos básicos e fundamentais lá na terra dos estudos linguísticos (lá onde nenhum desses jornalistazinhos consegue chegar antes de meter o bedelho e emitir opiniões em rede nacional). São eles:
* variação LINGUÍSTICA: explicando ao aluno que a língua portuguesa, como qualquer outra língua, varia de acordo com fatores como região e classe social;
* PRECONCEITO LINGUÍSTICO: ensinando que, embora as duas variantes em questão, a culta e a popular, sejam eficientes como meios de comunicação, há mais prestígio social da primeira sobre a segunda, por aquela estar mais próxima do nível de escolarização.
No mundo científico da linguagem, os valores de certo e errado não se sustentam. Existem, sim, diferenças, variações. E sobre elas são feitas comparações isentas entre mais ou menos adequado, mais ou menos inadequado de forma relativa ao parâmetro de análise escolhido. O falante do interior não utiliza a língua pior ou melhor do que o falante da capital, e sim, de forma diferenciada, da mesma forma que a do “guri da zona sul da capital” em comparação com a do “mano da periferia” ou a do carioca sobre a do paulista ou a do gaúcho. Mitos e preconceitos são sociais. Criados e sustentados pela/na sociedade. Os linguistas não têm nada a ver com isso.
Oferecer essa visão mais ampla ao aluno é papel do professor que busca despertar em seus alunos uma postura mais investigativa e científica sobre sua própria língua e também prepará-los para que não saiam por aí reproduzindo os mesmos pré-conceitos veiculados por programas de TV como esse, por exemplo.
Muito longe de um “modismo petista” de supervalorização de classes populares ou de subestimar a capacidade de aprender dos alunos (como foi afirmado incisiva e equivocadamente pelo Sr. ALEXANDRE GARCIA), o professor busca desenvolver maior e melhor competência linguística em sala de aula. Dizer que isso atrapalhará os alunos, como também foi dito, é que é SUBESTIMAR A INTELIGÊNCIA DELES. Posso assegurar-lhes que nossos alunos são perfeitamente capazes de apreender e reconhecer toda a riqueza de sua língua. E é esse o nosso papel como professores de língua materna.
Mas, se ainda não ficou claro:
NÃO É O FIM DO ensino da NORMA CULTA EM SALA DE AULA, em absoluto!
Entendemos perfeitamente quE, DENTRE OS INÚMEROS PAPÉIS DA escola, O MAIS BÁSICO É APROXIMAR O ALUNO DO CONHECIMENTO.
Nenhum de nós professores passou, no mínimo, 4 anos e meio da vida dentro de uma universidade para chegar à sala de aula e ensinar aquilo que o aluno já sabe. Nem, muito menos, o livro dá margem a essa interpretação, é exatamente o contrário, conforme o trecho a seguir: “Você, que é falante nativo de português, aprendeu sua língua materna espontaneamente, ouvindo os adultos falarem ao seu redor. O aprendizado da língua escrita, porém, não foi assim, pois exige um aprendizado formal. Ele ocorre intencionalmente: alguém se dispõe a ensinar e alguém se dispõe a aprender”. E é o que livro faz no decorrer de todo o capítulo.
O ALUNO PRECISA SABER A NORMA CULTA, MAS NÃO PODE CONTINUAR ACREDITANDO QUE ESSA É A ÚNICA FORMA POSSÍVEL DENTRO DA DINÂMICA DE UMA LÍNGUA.
Quando “abrimos os ouvidos” dos alunos para as formas utilizadas diariamente na fala deles e de qualquer pessoa, seja na favela, no bairro nobre, no parque, no campo de futebol, no recreio ou na televisão, como “me leva pra casa”, “tu vai?” ou “meus amigo vão”, por exemplo, queremos que ele perceba que o que ele já sabe também faz parte da língua do país onde ele vive, inclusive com normas e regularidades já apresentadas por estudiosos da língua em livros e gramáticas sobre a língua falada. Mas que esse mundo não é único. Existe também o mundo da escrita, que não é um simples registro da fala, que ele precisa aprender. Ambas, são absolutamente importantes. NÃO HÁ, EM HIPÓTESE ALGUMA, A PRÁTICA DA SUBSTITUIÇÃO DE UMA POR OUTRA!
Os principais órgãos competentes já se manifestaram a respeito como a ABRALIN (Associação Brasileira de Linguística) e a ALAB (Associação de Linguística Aplicada do Brasil), além de diversos conhecidos nomes da comunidade científica como Marcos Bagno (UnB), Sírio Possenti (Unicamp), Carlos Alberto Faraco (UFPR), Magda Becker Soares (UFMG), Ana Zilles (UFRGS/Unisinos) vieram a público se posicionar sobre a polêmica, que classificaram como “falsa” e “vazia”. Disponível em:
http://www.acaoeducativa.org/index.php?option=com_content&task=view&id=2611&Itemid=2
Em repúdio À IGNORÂNCIA E a ESSE tipo de jornalismo parcial, partidário e sem compromisso com a verdade é que faço circular este e-mail!
Sabendo que nenhum desses meios de comunicação irá retratar-se publicamente, agradeço a todos que leram até o final e mais ainda àqueles que acharem de extrema importância, como eu, passar essas informações adiante.
Juliana.
Abaixo alguns links que trataram sobre o assunto. Mas, antes, confira o capítulo na íntegra aqui:
http://www.acaoeducativa.org.br/downloads/V6Cap1.pdf
Livro ensina português errado e MEC apóia iniciativa
http://www.youtube.com/watch?v=u57ThEcbCO8
Bom Dia Brasil - Alexandre Garcia fala sobre uso da língua portuguesa
http://www.youtube.com/watch?v=kRdrDLrr_fM&feature=related
Bom Dia Brasil - Para Sérgio Nogueira, livro aprovado pelo MEC é uma 'inversão de valores':
http://www.youtube.com/watch?v=rg3hpY91t50&feature=related
Livro distribuído pelo MEC relativiza regras de concordância do Português
http://www.youtube.com/watch?v=buapedCNets&feature=related
Jornal da Band - MEC não vai recolher livro que usa erro de concordância
http://www.youtube.com/watch?v=3UJQBHoHpDU&feature=related
PSDB pede que livros com erros de gramática sejam recolhidos
MEC distribui livro que aceita erros de português
ABL critica uso de livro com erros
TV Brasil - A lingua falada e a lingua escrita (24/05/2011)
http://www.youtube.com/watch?v=g_YB5fr-RZg
Nota pública: Livro para adultos não ensina erros
http://www.acaoeducativa.org.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=2604&Itemid=2
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