quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Praga de Professor

Quando eu fazia Ciência da Computação na Pucrs, havia uma cadeira chamada Laboratório de Programação III, na qual estudávamos Java. Eu ainda era resistente com essa linguagem, pois recém havia visto C (no primeiro semestre da faculdade e na escola técnica da Ufrgs) e COBOL (na escola técnica da Ufrgs). Java simplesmente apareceu para acabar com a minha vida: após todo um conhecimento em linguagens procedurais, tão bonitinhas, veio o Java e seus conceitos malucos, uma tal orientação a objetos que me deixou mais desorientada do que outra coisa...
Segundo semestre de Java, alguns dias antes da última prova, não resisti: procurei o professor para falar tudo aquilo que qualquer aluno esperto sabe que jamais deve fazer: dizer que não gosta daquilo que o professor ensina.
Mas também... depois de tanta thread, sockets, eu queria mais era chutar o balde. Ainda mais porque eu já tinha certeza absoluta da área que queria seguir. Comecei em 2000 com teste de software e, desde então, esta foi a minha grande satisfação profissional.
Então... cheguei para o professor, na sua pequena salinha, e falei, olhando para atrás de suas lentes: "professor, é o seguinte: eu não gosto de programar."
Vejam bem... Ciência da Computação... terceiro semestre de programação alto nível... formação em Processamento de Dados... e a guria me diz que não gosta de programar?!
Sim, parecia o apocalipse anunciado.

Mas aqueles eram outros tempos, e, após a óbvia pergunta do professor: "mas... tu não gosta de programar? O que está fazendo aqui, então?"
Eu pude responder: "Eu gosto de teste de software!"
O professor, que antes estava chocado com a primeira afirmação, agora parecia se conformar com a minha escolha.
Realmente: se gosta de testar, para que programar? Quem programa é programador, quem testa é testador!
Bonito, né? Uhu! Viva! \o

É... mas senta lá que não acabou.
Estamos em 2011 e agora a coisa mudou um pouco. Sabe teste automatizado? Pois é... Para minha grandessíssima surpresa, o tão temido Java voltou a me assombrar. Ele estava lá, quietinho nas minhas memórias de "coisas loucas que fiz na vida", apenas um bibelô para mostrar para os netos no futuro.
E agora estou eu dedicada a escrever códigos (EU escrevendo código?!), tentando aprender em tempo hábil todas as ferramentas para a construção e execução dos meus scripts, relembrando o que é uma classe, um método, a beleza do ponto-e-vírgula.

Não vou dizer que é difícil. Não vou dizer que é ruim. Não vou dizer que não quero.
Ok, vou dar o braço a torcer um pouco e dizer que estou num misto de emoção, orgulho e desespero (estou fazendo isso mesmo?)
Nunca pensei que fosse capaz. Ao mesmo tempo, hoje vejo que tudo é possível, e que não se pode nunca dizer "dessa água não beberei" em TI.

Com certeza, que bela jogada do destino...
Ou que baita praga daquele professor!
;D

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